Manifesto Arte Viralata – Sobre Arte Urbana e Respeito

Há tempos venho sentindo uma vontade de expressar o real significado deste projeto para nós. Creio que é a maneira mais genuína de entender a origem e o verdadeiro valor que nós mesmos damos a ele. A coisa vai além do que parece ser. Não se trata apenas de um site na internet, como tantos outros, que buscam o sucesso e o faturamento astronômico a qualquer custo. Nós não temos as cifras como norte. Estamos longe disso.

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PXE @marciopxe – Potencializando a beleza da cidade maravilhosa

Este projeto tem um nome. E este nome carrega a nossa essência e a essência da arte em que nós acreditamos. Ele escora o peso da essência dos nossos artistas e abarca nossos ideais.

Somos vira-latas. Sim, a partir do momento em que somos seres humanos, somos vira-latas. Somos fruto de uma mistura inimaginável de ancestrais e, se você se preocupa com isso, sinto lhe informar, mas não, não temos pedigree. Nem eu, nem você, nem a nossa arte. Ela não está confinada nos cubículos das galerias de arte e tampouco restrita aos círculos da elite. Não há forma. Não há amarras. A arte urbana é livre.

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Fernando Pimentel, o Tosko @fernandotosko – artista e professor

Livre de correntes artísticas, padrões estéticos. Ela mistura-se ao caos urbano cotidiano, fazendo parte de sua louca poesia. É democrática – afinal, todos podem apreciá-la. A arte de rua é feita e apreciada por gente. Gente que sofre, que perde o ônibus. Que vai apertada no trem, que pega 3 horas de trânsito – seja dentro de um carro, ou entre combinações de transportes públicos falidos. Gente que sua. Gente que tem problemas financeiros. Corações partidos.

Foto por Déinha Rauchfeld
Rica de Lucca @alma7_3 – Foto por Déinha Rauchfeld

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Gael @mandalascriativas – Foto por William Monteath

Ela é feita por e para gente que tem filho e se aperta para pagar as contas no fim do mês. Gente que se sente sozinha. Que chora. Que bebe, que fuma, que cheira. Que suja as mãos – seja de tinta, seja fazendo o trabalho que alguém delegou porque não quis se sujar. Gente que mesmo com tanto aperto, sorri. Que tem raiva da política, que sofre injustiças, toma dura da polícia. Gente que tem família, gente que não tem. Que sente saudades de casa, da cidade onde nasceu. Gente que largou tudo. Gente que veio de longe, gente que nunca saiu do lugar. Que perdeu os pais, que se perdeu. Gente que se decepciona, que tem crise de identidade. Que tem 30, 40, 50 e não sabe o que quer fazer da vida. Que não sabe se acredita em Deus, ou que tem certeza de que nada lhe faltará. Pra quem samba, anda de skate, surfa, canta, escreve. Pra quem faz música, para quem protesta, para quem se omite.

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Cazé Sawaya @cazearte – Conhecido por seus “barbudinhos” espalhados pelo Rio de Janeiro.

A arte de rua protesta, grita, late! Adorna o lar de quem não tem casa. Critica, ama, julga e colore. É inteligente, feita por gente.

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Stefano Lolli, o Lençol – que é tão estaile, que não tem Instagram.

Somos vira-latas. Mas entendam bem, senhores, não somos vagabundos. A rua é um grande display: nada mais, nada menos, que maior galeria do mundo – e é nossa.Vem colorir a minha vida. Faz um mural na minha casa, pinta essa tela pra mim, vem grafitar meu muro de graça, já que você não tá fazendo nada…

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Beto Butter @betobutter,  em ação – Foto por Coletivo Odara

Não. Respeito. Arte de rua é hobby, filosofia, fuga da realidade, válvula de escape, cachaça, combustível pra vida, mas também é emprego. É tempo, dedicação, ideia, criatividade, experiência, talento, técnica, energia, tintas, latas e pincéis. Anos de prática. Tudo isso tem um preço.

Henry Peyloubet
Henry Peyloubet @henrypeyloubet_art – hermano manezinho.

E foi por causa deste respeito, somado a nossa imensa admiração, que criamos o Arte Viralata. Queremos valorizar e conectar os artistas e suas obras a gente como nós – gente que curte, que ama e que respeita o artista de rua. O artista que não é celebridade. Que manda bem para caralho, que sabe disso, mas que conserva a humildade. Tornar a arte de rua acessível para quem respeita. Trazer cor, vida, sentimento – levar o pulsar urbano para dentro de casa. E mesmo sendo uma gota no oceano, não iremos desistir.

Quer conhecer o nosso trabalho? É só acessar o nosso site e escolher a obra que vai levar vida e personalidade para o seu lar 😉

Das ruas para sua parede. A arte brasileira agradece.

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Beto Butter. Foto por Coletivo Odara.

Muito além do que os olhos podem ver

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…e é neste clima de arte urbana argentina que temos o orgulho de apresentar outro grande talento integrante do projeto Arte Viralata: Henry Peyloubet.

Nascido na pequena cidade de Pilar, na província de Buenos Aires, Henry teve a sorte de crescer e se desenvolver em um berço particular de arte. Filho de artistas plásticos, trabalhou desde a infância até a adolescência no ateliê de seu pai – que além de artista, também era ourives.

Ao completar 18 anos, juntou suas coisas e mudou-se para Florianópolis – lugar de onde nunca mais saiu.

Com o falecimento de seu pai, seu coração foi tomado por nuances de preto e branco – o que fez com que seu interesse pela arte ficasse adormecido durante muitos anos. No entanto, em um processo quase que natural, começou a sentir a necessidade de externar e expressar aquilo que o vinha consumindo.

Foi quando logo após o rompimento de um intenso relacionamento, deu-se o surgimento de uma faísca que logo acenderia um fogo difícil de ser apagado – e sem planejar absolutamente nada, aos 24 anos começaram a surgir os primeiros rabiscos. Logo em seguida, veio a experimentação de novos materiais como aquarela e nanquim, até chegar na tinta acrílica e no spray.

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“As minhas obras retratam meu mundo, minhas relações, as mulheres que passam na minha vida. Contam meus amores e desamores, por tudo que me apaixonei e tudo que de alguma forma me tocou” – ressalta.

Atualmente Henry é designer e jogador de hóquei sobre grama – contudo, para nossa alegria, seus laços com a arte seguem estreitando-se cada vez mais:

“A arte para mim é o momento, o processo, onde coloco tudo pra fora, independente do resultado e da estética. Sempre estou contando alguma estória, algo que está me apertando o peito, ou fazendo ele bater mais forte. É um processo de total libertação e intimidade”.

Dotado de uma sensibilidade aguçada e de sentimentos intensos, ele busca transmitir todo seu turbilhão de emoções através de sua arte:

“Costumam ficar resquícios do processo nas pinceladas, na força, ou no movimento que as cores propõem. É a forma que tenho de capturar aquilo que é invisível aos olhos. Procuro expressar o lado mais sensível e dramático do ser”.

A técnica preferida do nosso argentino manezinho é o nanquim, de traços soltos, livres, sem a possibilidade de correção – embora ultimamente venha utilizando também tintas acrílicas e spray. Na maioria de suas obras, podemos encontrar tons contrastantes e vibrantes, rostos femininos com grandes olhos e olhares cortantes, daqueles que parecem fitar diretamente quem os contempla.

“A arte diz quem sou, fala mais de mim do que eu mesmo, com minhas limitadas palavras. Não imagino uma vida sem arte. Ela é a linguagem da alma”.

Quando o assunto é a inspiração, ele diz que ela vem das pessoas, do que elas o fazem sentir, ou no que ele consegue enxergar através dos olhos delas – na beleza de algumas lágrimas e também no peso que estas pessoas carregam.

Henry também canaliza toda a sua sensibilidade para causas do bem, altamente relevantes para a transformação da sociedade. Ele também participa do projeto Cidades Invisíveis, que disponibiliza a venda de produtos personalizados por diversos artistas – e cuja renda obtida é revertida para benfeitorias em diversas comunidades locais.

Conheça, abaixo algumas de suas obras. Gostou? Então vem, porque todas elas estão disponíveis aqui.