Sobre o bizarro, o sublime e a eternidade – a genialidade inapagável de R.Hora

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Raphael Hora – R.Hora. O inesquecível “Tuba”, para os mais chegados.

É tão natural quanto o fato de a Terra ser redonda, dizer que Raphael era dotado de um talento genial – apesar de, infelizmente, não tê-lo conhecido. Como toda galeria de arte, nós, vira-latas, também temos um processo de curadoria que envolve a busca por novos artistas. Neste caso, foi o Raphael que chegou até nós, através da indicação de uma grande amiga em comum. Segundo nossa humilde opinião, esta é a maior prova de que seu legado, sua personalidade e toda a sua trajetória, regalaram-lhe o poder da eternidade. Ao ver suas obras pela primeira vez, ficamos embasbacados -não há outra palavra que descreva melhor a nossa reação.

Desta vez, quem conta a história do artista, é alguém que o conhecia provavelmente melhor do que ninguém – e que é também, possivelmente, uma das melhores pessoas que nós conhecemos – seu irmão, a gentileza em pessoa, Pedro Staite:

Raphael Staite da Hora, ou R.Hora, nasceu em 1985, no Rio de Janeiro – cidade onde passou a vida toda. É difícil precisar o momento em que começou a se dedicar ao desenho, porque ele sempre foi visto desenhando (desde as séries mais pueris do colégio, ou em casa, no trabalho, no ônibus, no bar, em qualquer lugar). Era muito comum, por exemplo, ele travar longas conversas com alguém, mas sempre olhando para o caderno, desenhando casualmente alguma coisa que ficaria absurda e surpreenderia o interlocutor.
Considerando o nosso método bolorento de aferição de aprendizagem, Raphael sempre foi um péssimo aluno, pois destinava sua genialidade para o que infelizmente a escola ignora. Mostrava-se aos poucos um talento que crescia com um nível extraordinariamente constante. Ele cresceu até o fim.

coruja
Coruja

Embora nunca tenha se dedicado a algum curso formal de arte, Raphael sempre se interessou em aprender ― às vezes com amigos, às vezes na marra ― novas técnicas e a enriquecer o próprio estofo com novas referências. Cursou desenho industrial na faculdade e trabalhou como designer e ilustrador em diversas agências do Rio de Janeiro.

Concomitantemente ao trabalho, Raphael continuava a refinar seu estilo e a produzir. Ele sempre foi fortemente influenciado pelas artes das cartas de baralho e pelo visual predominante entre o fim do século XIX e as primeiras décadas do século XX. Era comum também recorrer a animais ― elefantes, cervos, besouros e, sobretudo, raposas ― em seus desenhos. Boa parte de suas ilustrações contém uma dualidade marcante: é difícil, por exemplo, conferir fofura a um cervo antropomórfico embriagado e com o coração exposto, mas ele conseguia. O bizarro e o sublime (ou o parente mais habitual, o tragicômico) costumava ter espaço em suas obras, como se fosse um aviso de que, se o mundo está bonito demais para alguém, esse alguém está enxergando o mundo com uma boa vontade entorpecedora.

boxe
Boxe

As obras expostas no Arte Viralata foram feitas em nanquim sobre papel e depois coloridas e finalizadas digitalmente. Esse foi o processo predominante nos últimos anos de sua vida, interrompida tragicamente em virtude de um suicídio. Ele saiu dessa nossa festa horrível e maravilhosa aos 29 anos, e uma das especulações mais óbvias que rondam sua memória é a de que, em muito pouco tempo, teríamos um gigante artístico por perto. Claros sinais de sua grandeza, por sorte nossa, estão espalhadas por aí.

 

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arteviralatablog

Sou o blog da loja www.arteviralata.com.br. Vamos falar sobre street art e atitude viralata.

5 comentários em “Sobre o bizarro, o sublime e a eternidade – a genialidade inapagável de R.Hora”

  1. Raphael era uma pessoa com qualidades e defeitos …mais de um coração grande demais , tinha o sorriso perfeito , todos gostavam de está com ele,as vezes divertido outras sério,tinha mtos amigos era uma pessoa querida.
    Raphael sempre foi e será o meu menino que foi amado e desejado o meu filho querido,amado e que me faz falta cada minuto da minha vida!!!
    Esse é meu filho.

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  2. Amo demais e faz uma falta enorme, alguém tão parecido (Velho como eu) e tão diferente ( sabia usar hashis).
    Saudades da sua voz, das reclamações, do jeito de andar, de segurar o copo de cerveja e a caneta… De todos os detalhes!
    Amo demais! Sua sempre Amiga, Miharinho❤️❤️❤️

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