Street art, carrões e motocas. Bem-vindos ao primeiro evento do Arte Viralata!

E aí, galera? O último sábado foi dia de elegância no reino vira-lata! Quando a gente diz que arte de rua é democracia pura, não é à toa.

Fomos carinhosamente convidados pela equipe de marketing da Top Car para executar um live painting diferente. A missão era que cada artista materializasse em sua tela – durante o evento de inauguração da loja – a sua interpretação acerca de 3 produtos, previamente escolhidos entre cada um deles.

E assim foi – em um sábado ensolarado em Blumenau, nós todos passando super bem, neste mega evento de inauguração da nova loja MINI /BMW.  Quando a gente diz mega, é porque realmente a parada estava fervendo! Promotoras, big band ao vivo, comes, bebes, presidente da empresa no Brasil, performance com motos e carros, desfile, caravana de clientes de moto…e muita gente bonita e simpática. Nem doeu ter que trabalhar no sábado!😛

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O artista Gabriel Young na atividade. A ideia foi remeter a elementos característicos do modelo GS R1200 Adventure.

Teve gente fazendo contorcionismo, teve muita concentração, profissionalismo e também uma parcela de zoeira, só de leve, porque ninguém é de ferro. Tipo o Beto, que foi tirar onda com o letreiro, mas que quando foi zoado de “mini”, sentiu aquela artrose típica no dedo do meio.

O resultado final ficou MUITO bacana. Foi bastante gratificante e divertido para todos nós. Mais legal ainda, foi ver que conseguimos entregar três telas totalmente diferentes entre si – todas incríveis.

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A obra final e a musa inspiradora do artista Rica de Lucca. Esta era uma BMW S1000 RR.
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O artista Beto Butter optou retratar o Mini Clubman de maneira mais lúdica – e acabou faturando o coração da criançada que acompanhava os pais no evento. 

Fica aqui registrado o nosso agradecimento de coração aos artistas Beto Butter (@betobutter) , Gabriel Young (@mandalascriativas) e Rica de Lucca (@ricadelucca), que toparam encarar este primeiro desafio com a gente. E claro, a equipe de marketing da Top Car, que confiou neste projeto que ainda que esteja dando seus primeiros baby steps, já tem ousadia para brincar em playground de gente grande.

Se você tem uma empresa e também gostaria de planejar uma ação com o Arte Viralata no seu evento, é só mandar um e-mail para contato@arteviralata.com.br – anotou?

Para nos despedirmos, ficam aqui mais fotos do que rolou por lá:

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Até a próxima, camaradagem!

 

Manifesto Arte Viralata – Sobre Arte Urbana e Respeito

Há tempos venho sentindo uma vontade de expressar o real significado deste projeto para nós. Creio que é a maneira mais genuína de entender a origem e o verdadeiro valor que nós mesmos damos a ele. A coisa vai além do que parece ser. Não se trata apenas de um site na internet, como tantos outros, que buscam o sucesso e o faturamento astronômico a qualquer custo. Nós não temos as cifras como norte. Estamos longe disso.

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PXE @marciopxe – Potencializando a beleza da cidade maravilhosa

Este projeto tem um nome. E este nome carrega a nossa essência e a essência da arte em que nós acreditamos. Ele escora o peso da essência dos nossos artistas e abarca nossos ideais.

Somos vira-latas. Sim, a partir do momento em que somos seres humanos, somos vira-latas. Somos fruto de uma mistura inimaginável de ancestrais e, se você se preocupa com isso, sinto lhe informar, mas não, não temos pedigree. Nem eu, nem você, nem a nossa arte. Ela não está confinada nos cubículos das galerias de arte e tampouco restrita aos círculos da elite. Não há forma. Não há amarras. A arte urbana é livre.

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Fernando Pimentel, o Tosko @fernandotosko – artista e professor

Livre de correntes artísticas, padrões estéticos. Ela mistura-se ao caos urbano cotidiano, fazendo parte de sua louca poesia. É democrática – afinal, todos podem apreciá-la. A arte de rua é feita e apreciada por gente. Gente que sofre, que perde o ônibus. Que vai apertada no trem, que pega 3 horas de trânsito – seja dentro de um carro, ou entre combinações de transportes públicos falidos. Gente que sua. Gente que tem problemas financeiros. Corações partidos.

Foto por Déinha Rauchfeld
Rica de Lucca @alma7_3 – Foto por Déinha Rauchfeld

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Gael @mandalascriativas – Foto por William Monteath

Ela é feita por e para gente que tem filho e se aperta para pagar as contas no fim do mês. Gente que se sente sozinha. Que chora. Que bebe, que fuma, que cheira. Que suja as mãos – seja de tinta, seja fazendo o trabalho que alguém delegou porque não quis se sujar. Gente que mesmo com tanto aperto, sorri. Que tem raiva da política, que sofre injustiças, toma dura da polícia. Gente que tem família, gente que não tem. Que sente saudades de casa, da cidade onde nasceu. Gente que largou tudo. Gente que veio de longe, gente que nunca saiu do lugar. Que perdeu os pais, que se perdeu. Gente que se decepciona, que tem crise de identidade. Que tem 30, 40, 50 e não sabe o que quer fazer da vida. Que não sabe se acredita em Deus, ou que tem certeza de que nada lhe faltará. Pra quem samba, anda de skate, surfa, canta, escreve. Pra quem faz música, para quem protesta, para quem se omite.

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Cazé Sawaya @cazearte – Conhecido por seus “barbudinhos” espalhados pelo Rio de Janeiro.

A arte de rua protesta, grita, late! Adorna o lar de quem não tem casa. Critica, ama, julga e colore. É inteligente, feita por gente.

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Stefano Lolli, o Lençol – que é tão estaile, que não tem Instagram.

Somos vira-latas. Mas entendam bem, senhores, não somos vagabundos. A rua é um grande display: nada mais, nada menos, que maior galeria do mundo – e é nossa.Vem colorir a minha vida. Faz um mural na minha casa, pinta essa tela pra mim, vem grafitar meu muro de graça, já que você não tá fazendo nada…

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Beto Butter @betobutter,  em ação – Foto por Coletivo Odara

Não. Respeito. Arte de rua é hobby, filosofia, fuga da realidade, válvula de escape, cachaça, combustível pra vida, mas também é emprego. É tempo, dedicação, ideia, criatividade, experiência, talento, técnica, energia, tintas, latas e pincéis. Anos de prática. Tudo isso tem um preço.

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Henry Peyloubet @henrypeyloubet_art – hermano manezinho.

E foi por causa deste respeito, somado a nossa imensa admiração, que criamos o Arte Viralata. Queremos valorizar e conectar os artistas e suas obras a gente como nós – gente que curte, que ama e que respeita o artista de rua. O artista que não é celebridade. Que manda bem para caralho, que sabe disso, mas que conserva a humildade. Tornar a arte de rua acessível para quem respeita. Trazer cor, vida, sentimento – levar o pulsar urbano para dentro de casa. E mesmo sendo uma gota no oceano, não iremos desistir.

Quer conhecer o nosso trabalho? É só acessar o nosso site e escolher a obra que vai levar vida e personalidade para o seu lar😉

Das ruas para sua parede. A arte brasileira agradece.

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Beto Butter. Foto por Coletivo Odara.

Hambúrgueres e Graffiti – Terreno Fértil para a Imaginação de Stefano Lolli, o Lençol

Camisetas com estampas de frutas tropicais. Chapéu de marinheiro. Fala mansa. Uma barba de respeito. Apetite voraz por hambúrgueres e o mundo na ponta do lápis. Estes são apenas alguns dos muitos atributos que compõem a entidade Stefano Lolli Robustelli – o Lençol.

Nascido em Manaus, este tímido designer gráfico de 26 anos já morou em tanta casa que nem se lembra mais. Desceu da Amazônia, passou pela selva de concreto e veio parar aqui, na ilha da magia.

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Foi em 2007 que seu caminho se encontrou com o graffiti. Crescido na rua, ao som do hip hop,  conheceu um amigo que pintava e a partir desse primeiro contato, começou a aplicar sua criatividade nos muros da cidade. Do alto da maturidade dos seus 19 anos, resolveu grafitar o muro de uma igreja…e tomou dura da polícia. Foi apenas uma entre tantas outras que estariam por vir. Felizmente, isso não foi motivo para impedir que a imaginação do Lençol continuasse a ser impressa nos muros das cidades por onde andou.

Em suas andanças pelos dias atuais, sempre está acompanhado pela música e pela vontade de experimentar coisas novas, lugares novos e sabores novos – aliás, recentemente descobriu que abacate amassado com sal e limão é coisa de deus. Mas seu hobby preferido é mesmo desenhar o que bem entender. E ele tem talento de sobra para bancar a parte do “bem entender”.

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Minha filosofia de vida é experimentar as coisas e tentar deixar tudo o mais especial possível – e se entre os experimentos ele puder devorar um hambúrguer, melhor ainda.

Além de comer hambúrgueres, grafitar e ser demais, Lolli curte bastante trabalhar com ilustração digital. Em suas obras, gosta de tentar representar as coisas através de uma ótica mais poética, brincando bastante com as cores e flertando com temas latino-americanos e do cotidiano. Lençol se inspira nas pessoas que gosta, naquilo que acontece em seu dia a dia, naquilo do que sente saudades e naquilo que gostaria que acontecesse, mas que não acontece. Experimentar, misturar e aprender são os verbos que mais participam do processo criativo de suas obras.

E quando perguntamos para ele qual é o papel da arte em sua vida, a resposta é certeira: “Acho que é o único meio onde me sinto vivo de verdade.”

Pois é. Estamos chegando ao final do post e a pergunta que não quer calar, é: de onde veio o apelido “Lençol”? – Das roupas que eu usava: eram tão largas, que pareciam um lençol. Pronto, mistério desvendado!

Para levar um pedaço da imaginação deste figura para casa, não tem treta. É só dar um chega mais na galeria virtual de street art mais gente fina do Brasil e ser feliz. Lembrando que o Lençol é artista do mês, e que por isso, todas as suas obras estão com frete grátis até o dia 30. Vem!

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Hiper realismo no Graffiti, ou “Eita, achei que fosse foto”

Dentre tantas correntes existentes no cenário da street art, provavelmente o hiper realismo seja a que arranque mais “ooooohs” e “nooooooossas” de quem passa e observa. No entanto há controvérsias…já ouvi por aí algo como “pra quê isso, se já inventaram foto”?

É claro que o traço, a essência e o estilo característico de cada artista são os atributos que trazem a verdadeira graça e variedade para a maior galeria do mundo – as ruas. Porém, não se pode negar que para pôr na praça um muro hiper realista, há de se ter muita técnica e maestria.

Mundialmente, temos alguns nomes conhecidos por dominar este estilo – tais como a dupla de artistas suíços, Pablo Togni e Christian Rebecchi, também conhecidos como Nevercrew.

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Em um de seus trabalhos mais recentes, “Black Machine” (2015), os artistas buscam trazer à luz a questão do aquecimento global, através de um imenso mural que contempla pintura com spray + instalação elétrica na fachada do Colosseum Theatre em Turin, na Itália. Vale a pena dar uma conferida no trabalho dos caras.

No Brasil, talvez o artista mais conhecido que flerta com este estilo hiper realista, seja o famoso Eduardo Kobra, de São Paulo.

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Seus murais costumam misturar bases realistas com uma marcada explosão de cores geométricas característica de suas obras. Ele resolve como um verdadeiro maestro o problema do hiper realismo mencionado no início do post: a ausência dos traços característicos, e como consequência, da marca registrada de cada artista. A alegria que brota de seus mosaicos coloridos é exatamente o que nos faz reconhecer um “Kobra” em qualquer lugar do mundo – porque sim, ele já rompeu as barreiras tupiniquins há muito tempo, enchendo de orgulho o cenário da arte de rua brasileira.

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De qualquer forma, seja realista ou não, toda obra ou muro tem o seu tempo, pensamento prévio, ideias, sentimentos, dedicação, amor, energia e dinheiro (ou você acha que as tintas são feitas de xixi de unicórnio que a gente cata na rua?) investidos. Por isso deve ser devidamente VALORIZADA. Por isso, fica aquele “alô” especial para quem acha que grafite não é trabalho, é coisa de vagabundo, e pede para os artistas fazerem “uma artezinha de graça” naquele evento, ou então pagando uma paçoca e uma mariola: NÃO PASSARÃO.

Para encerrar, vamos deixar vocês com uma galeria de fotos de murais hiper realistas desse mundão. Ah, e se você curte rap e realismo assim como nós, saca só as obras do artista Pedro Sertã, lá na galeria! O cara é fera demais. Enjoy!

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Conheça a leveza dos personagens do Tosko – que de tosco, não tem nada.

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Fernando Pimentel, o Tosko.

O nome do cara é Fernando Pimentel, mas ele assina suas artes como “Tosko“. Entretanto, “toscas” seria o último adjetivo que poderíamos utilizar para descrever as obras deste simpático, pacato e talentosíssimo artista de Limeira, interior de São Paulo.

Fazem parte de seu acervo telas originais extremamente suaves e delicadas. A combinação de cores é um espetáculo à parte. Tosko parece ter a fórmula certa para misturar e equilibrar com maestria uma paleta infinita de tons pastéis. Contudo, foi depois de aprontar bastante e de se apaixonar pela capoeira durante sua infância, que começou o envolvimento com a arte:

Ao contrário de muitos, comecei a me envolver com arte apenas na adolescência, influenciado pelo rap. Conheci o movimento hip hop através de revistas dessa época, comecei a treinar em cadernos, a percorrer eventos de hip hop, graffiti… e a arte foi tomando conta naturalmente.

 

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Tela Original | Subsistência

E mesmo podendo estar sujeito a ser enquadrado em um estereótipo que muitos manés por aí julgariam subversivo, atualmente você pode encontrar o boa praça do Tosko na escola lidando com crianças – sim, além de adornar os muros de Limeira com seus graffitis incríveis, o professor Fernando Pimentel ministra aulas de arte nas redes de educação estadual e particular em sua cidade natal.

A arte é o meu ganha pão, meu sustento, meu bem estar, meu pensamento, são minhas ideias que estão em um estado abstrato e posso concretiza-las em muros pelas cidades e telas.

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E quando a gente pergunta pra ele o que mais gosta de retratar e expressar em suas obras, a resposta vem afiada – Tento trabalhar a leveza dos personagens, junto com elementos naturais como plantas, flores e animais. No ano de 2013 comecei uma série chamada “Simbiose” – tema do meu trabalho de conclusão da faculdade – onde busco elevar o pensamento e criar um novo olhar para as situações relacionadas em cada pintura. Cada trabalho conta uma história através de seus animais e a “simbiose” com os humanos, no intuito de colocar todos os seres vivos em uma mesma mensura e dimensão hierárquica no plano terreno.

Ainda que tenha um estilo bem marcado e participe ativamente do universo da arte urbana, Tosko não é de buscar rótulos para o seu trabalho – apenas desenho e realizo as pinturas por uma necessidade além de rótulos ou técnicas, diz o artista.

Além de propagar conhecimento e melhorar a estética da cidade, Fernando Pimentel tem seu currículo lotado de participações de peso dentro e fora do Brasil. Indo desde festivais, bienais e projetos em vários estados diferentes, até uma exposição em Santiago do Chile. Por sorte, o Fernando topou encarar este desafio conosco, e faz parte do  acervo espetaculoso de artistas do Arte Viralata. Quer levar uma obra original dele para casa? É só clicar aqui e ser feliz!

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Oráculo Project – Conheça mais sobre as intervenções urbanas que viraram marca registrada do Rio de Janeiro

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Aquela mensagem inspiracional que você encontrou no chão em frente a uma bela paisagem e compartilhou no Instagram. As árvores ensanguentadas que foram cortadas pela prefeitura. As estátuas emblemáticas da cidade que um belo dia amanheceram vendadas (clique aqui para ver o vídeo animal que eles fizeram dessa intervenção). Sim. Tudo isso – e muito mais – é obra do Oraculo Project.

Quem mora ou visita com alguma frequência o Rio de Janeiro, provavelmente já deve ter esbarrado com alguma intervenção urbana deste projeto que, inclusive, já extrapolou as fronteiras da cidade maravilhosa há muito tempo.

Através do uso de stencil, lambe-lambe e o bom e velho spray, dá para perceber que a intenção do Oráculo Project não é disputar os muros da cidade com os demais artistas urbanos. Pelo menos para quem vê, a ideia é espalhar poesia, filosofia, protesto – principalmente contra o desmatamento – e é claro, amor. Se você nunca teve a oportunidade de cruzar com uma de suas mensagens, pode começar olhando o Instagram e a página do projeto no Facebook. Experimente também buscar pela hashtag #oraculoproject nas redes sociais.

Como nós, humildes vira-latas caras de pau, somos grandes admiradores do Oráculo Project, conseguimos entrar em contato com esta entidade das ruas para que ela nos respondesse algumas perguntas rápidas a respeito do projeto. Dá só uma olhada no que a gente conversou:

O que inspirou a criação do projeto?
O Oraculo Project nasceu a partir da necessidade de botar para fora sentimentos de indignação. Além disso, poesias, ideologias e visões de um mundo melhor.


Qual é a sua intenção, qual o efeito que deseja provocar através de suas intervenções?
A ideia é fazer a diferença, seja ela qual for.

Por que decidiram manter o anonimato?
O Oraculoproject é um grupo formado por apenas 1 integrante. O anonimato acontece porque o Oraculoproject não tem nome ou sobrenome. Ele não tem rosto e assim dá a liberdade para cada um interpretar e sentir a arte da sua maneira, sem pré julgamentos.

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E o nome, Oraculo Project, de onde surgiu?
Em 2010, quando comecei o projeto junto com um amigo , o nome era apenas oráculo , foi escolhido a dedo, por uma série de motivos. Em 2014, após uma pausa de alguns anos , senti a necessidade de trazer o projeto de volta , reformulado. Foi aí que surgiu o “project”, pois é um experimento. A arte fica em aberto e isso gera infinitas interpretações.

Qual foi a melhor reação a alguma intervenção do projeto que vocês já presenciaram – ou que tiveram conhecimento, através de outros meios?
Acredito que todas as reações são únicas e essenciais. Se eu tivesse que apontar, diria que a melhor reação é o feedback randômico instantâneo que recebo: sorrisos de desconhecidos na rua quando estou pintando, ou em mensagens fantásticas que realimentam e fazem o projeto seguir em frente.
Se vocês pudessem ser ouvidos por todos os artistas de rua do Brasil, qual mensagem enviariam a eles?

No maior museu do mundo…tamo junto!

E para a população dos grandes centros urbanos. Qual seria o recado do Oráculo para ela?
A mudança acontece de dentro pra fora. Vamos acreditar na mudança e fazer a nossa parte.

Algum recado para os políticos, Oráculo?
Eu sei quem vocês são…e estou ciente do que andam fazendo.

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De quebra, além de ser muito receptivo e gente fina, o Oráculo Project compartilhou conosco um texto especial, que diz muito a respeito dele próprio. Nós curtimos bastante e resolvemos compartilhar com vocês também. Esperamos que curtam e que, ao caminhar pela cidade de agora em diante, desviem um pouco o olhar dos smartphones e apreciem a vista e as intervenções do Oráculo😉

“O ORÁCULO”

O ORÁCULO NÃO TEM NOME OU SOBRENOME
NÃO TEM IDADE

O ORÁCULO NÃO É UMA FIGURA PÚBLICA OU UM PERSONAGEM
NÃO TEM CIDADANIA
NÃO TEM CONTA BANCARIA
NÃO LIGA PRA DINHEIRO
NÃO SIMPATIZA COM POLÍTICOS
NÃO GOSTA DE CORRUPÇÃO
NÃO ADMITE MENTIRAS
NÃO MENTE E NÃO SE CONTRADIZ.

O ORÁCULO NÃO ESTÁ DE BRINCADEIRA
NÃO ASSISTE SÉRIES DE TV OU REALITY SHOW
NÃO USA PROTETOR SOLAR
NÃO TEM BICHOS DE ESTIMAÇÃO
NÃO GOSTA DE ARMAS DE FOGO OU VIOLÊNCIA.

O ORÁCULO NÃO ACEITA O DESMATAMENTO
NÃO ADMITE O DESPERDÍCIO
NÃO ENTENDE O RACISMO
NÃO ACEITA A FALSIDADE OU A HIPOCRISIA
NÃO COME TRUFAS..NEM NADA DO GÊNERO
NÃO GOSTA DE PAGODE

O ORÁCULO NÃO TOMA MILKSHAKE DE CHOCOLATE
NÃO RECLAMA
NÃO FALA DURANTE A REFEIÇÃO
NÃO GOSTA DA FALTA DE OPÇÃO
NÃO SUPORTA A FALTA DE CARÁTER
NÃO AGUENTA PESSOAS SEM ATITUDE
NÃO CUMPRIMENTA PESSOAS QUE NÃO TEM PERSONALIDADE
NÃO APOIA NEM SEGUE NENHUM MODISMO.

O ORÁCULO NÃO ASSISTE FUTEBOL…E NEM TEM UM TIME.

O ORÁCULO NÃO LIGA PARA O FATO DE NÃO TER UM TIME.

O ORÁCULO NÃO ACREDITA NO DESTINO
NÃO LÊ O HORÓSCOPO
NÃO JOGA LIXO NO CHÃO.
NUNCA USOU A EXPRESSÃO “POXA VIDA”
NÃO ACEITA LIGAÇÕES DE NÚMERO RESTRITOS

O ORÁCULO NÃO SUPORTA O HORÁRIO POLÍTICO OU A VOZ DO BRASIL.
NÃO DORME…
NÃO SE CANSA…

O ORÁCULO NÃO DESISTIRÁ

Este não é um post deprê: conheça o livro “Memorial Leve”, de Pedro Staite

Um dos mais geniais artistas da nossa galeria, Raphael Hora, infelizmente não faz mais parte dessa loucura linda e cruel, mais conhecida como “vida”. Talvez ele não esteja mais participando fisicamente deste fuzuê – mas com certeza seguirá vivo através de sua arte e das memórias que imprimiu nos corações daqueles que o amavam.

Ao suicidar-se, em dezembro de 2014, Raphael deixou lembranças que não podem ser caracterizadas como floridas e cheias de cores, principalmente no pensamento de seu irmão (e uma das pessoas mais legais que já tivemos o prazer de conhecer), Pedro Staite.

Depois de muitos dilemas internos, preocupações com julgamentos externos, e de muita perturbação por parte dos amigos, Pedro decidiu trazer a público as reflexões sobre a experiência avassaladora de encontrar o seu irmão, sem vida, dentro de casa.

Mórbido, não? Não. Através de uma escrita suave, de excelente qualidade e – acredite – muito bem humorada, ele sapateia em cima do tabu que estamos mais acostumados a conhecer como “morte”. São 70 páginas que passam voando e que mais parecem uma montanha russa de sentimentos. É possível, de um parágrafo para outro, experimentar um aperto terrível no coração e logo, uma gargalhada impensada – que inclusive provoca um sentimento de culpa por haver existido.

Mesmo para quem não teve o privilégio de conviver com o Raphael, “Memorial Leve – ou o que aconteceu depois que entrei naquela cozinha” é uma excelente leitura – uma vez que nos ajuda a abrir mão de ideias pré concebidas de luto e a perceber o quão particular é a maneira de cada um de lidar com a morte.

E como se já não existissem motivos suficientes para lê-la, a obra termina por revelar um talento de Pedro que todos a sua volta já sabiam que existia, mas que precisou de um motivo muito forte para ser trazido a público. Que bom que ele resolveu dividir seus textos incríveis e sua experiência com a gente.

Para comprar o livro, basta clicar aqui. Custa apenas o valor simbólico de R$ 5,99 – que irão ajudar o Pedro a pagar as contas de casa – e vão te ensinar a enxergar o tema com outros olhos, e principalmente, com menos ovos a serem pisados.

Se interessou pelas obras do saudoso Raphael Hora? Você pode adquiri-las clicando aqui, ou nas fotos abaixo: